Rapel Básico: Boas Práticas Liga Rapel


 



Rapel Básico: Boas Práticas Liga Rapel

2018

Sumário

Aviso ao leitor

Este artigo tem como objetivo servir de referência para praticantes de técnicas de rapel. Serve como meio de pesquisa e consulta sobre técnicas verticais de descenso através de equipamentos específicos para a prática de rapel.

Este artigo não torna o leitor praticante de técnicas verticais.

Os autores desta obra e o canal Liga Rapel – Esportes e Atividades ao Ar Livre do Youtube não se responsabilizam pela prática de rapel dos praticantes que possuem este artigo em mãos.

Este artigo é uma referência. Existem diversas culturas de práticas verticais em diversos locais diferenciados. Não significa que o que está escrito aqui é uma verdade única. Podem existir diversas maneiras de se praticar de maneira segura.

Recomendamos a aprovação de um instrutor qualificado para qualquer procedimento adotado por você durante suas atividades.

Atividades verticais requerem atenção extrema do praticante. Esteja atento ao praticar!

Rapel Básico: Boas Práticas Liga Rapel

Técnicas Verticais

São técnicas utilizadas para transpor obstáculos, comuns a várias atividades como montanhismo, escalada, alpinismo, resgate ou salvamento, operações táticas, espeleologia, canionismo, ações de logística e transporte, construção civil, entre outras.

Rapel

Em francês: rappel. É uma atividade vertical que tem como objetivo permitir o acesso a locais acima do solo ou área de trabalho através de ferramentas específicas, tais como cordas, freios, mosquetões, capacetes, ascensores etc.

Existem diferentes versões para o surgimento do rapel. Uma delas, data do final do século XIX quando escaladores franceses exploravam os cânions e cavernas dos Pirineus (montanhas que separam o norte da Espanha do sul da França), criando então uma técnica para descida mais segura.

A invenção da técnica de rapel é atribuída a Jean-Charlet Straton, um guia da cidade de Chamonix (França) que usou esta técnica para sair do Petit Dru (3.730m), em 1879. Até o final do século 18 as cordas só podiam ser utilizadas, em atividades de montanha, de forma limitada. Futuramente o desenvolvimento de novos tipos de cordas, mais resistentes e seguras, possibilitou a prática do rapel com muito mais segurança. 

Historicamente, as primeiras técnicas de rapel foram realizadas sem um sistema de freio. A travagem era realizada pelo atrito da corda nas mãos ou em torno do corpo do escalador, o que poderia causar dor intensa (queimaduras) e danos às roupas. Estas técnicas antigas não são mais usadas ​​hoje em dia.


Corda passando em torno do corpo

No início, não havia maneira de executar um auto-seguro (técnica na qual o praticante cria um sistema de segurança, (backup), onde caso venha a soltar as mãos da corda, o sistema o freia automaticamente) para a descida, e muitos alpinistas perderam a vida através de erros de manipulação. Geralmente uma má implementação da corda na condução nos ombros causava queimaduras ou paralisia no praticante. O conforto foi um pouco melhorado quando, ao invés de passar a corda entre as pernas, foi instalada uma corda anel ou cinta em torno na bacia.

Procedimentos para a prática de rapel: Ao efetuar rapel, o praticante deve se aproximar do local da ancoragem com total segurança utilizando a ferramenta extensora “longe” também conhecido como “rabo de vaca” (equipamento que funciona como um extensor do seu corpo, feito com corda dinâmica de escalada, possuindo um mosquetão em uma das extremidades preso ao seu assento e outros dois mosquetões nas duas outras extremidades que servem como extensão de sua segurança) em corrimão previamente montado pelo ancorador (responsável por montar a ancoragem com segurança). Todo o equipamento deve ser conferido antes de se ancorar o praticante à via de rapel. Após estar devidamente ancorado na via de rapel, ao se aproximar do ponto de início da descida, deve procurar o melhor posicionamento mantendo os pés afastados para que haja maior equilíbrio. Antes de iniciar a descida deve-se verificar a folga entre a ancoragem e o freio, ajustá-la, e só então liberar-se do equipamento de segurança (longe). E também deve-se comunicar à pessoa que está efetuando a segurança que a descida começará. Ao iniciar a descida o praticante deve escolher a melhor forma de se posicionar conforme o local, lembrando que em nenhuma hipótese poderá soltar, da corda, a mão que controla a descida.

Longe ou Rabo de Vaca

Observações:

– Cabelo, comprido ou não, deve estar totalmente preso e dentro do capacete para evitar que seja “puxado” pelo freio caso encoste no mesmo durante a descida.

– Não se deve utilizar roupas folgadas que podem ser “engolidas” pelo freio durante a descida.

– Não se deve, nunca, encostar a mão no freio durante a descida, evitando assim acidentes. O Freio é um dispositivo de atrito, qualquer objeto pode ser sugado para dentro dele, ao contato com a parte em que a corda atrita no freio.

Equipamentos

Todo equipamento deve conter uma certificação aceita para o uso. No caso do rapel deve conter CA, CE ou UIAA.

Certificações dos equipamentos

CA – Certificado de Aprovação (Brasileiro) – O CA é a garantia fornecida pelo Ministério do Trabalho para que o equipamento possa ser utilizado com segurança no território brasileiro. Materiais com CA podem ser utilizados para trabalho em altura, alpinismo industrial ou para fins profissionais no Brasil.

CA – Certificação de Aprovação

CE – Conformidade com as normas Européias – Esta marca indica que um produto atende à legislação da União Européia em requesitos como segurança, higiene e proteção ambiental estando, desta forma, credenciado a circular por todo espaço econômico europeu. Materiais com CE não podem ser utilizados para trabalho em altura, alpinismo industrial ou para fins profissionais no Brasil.

CE – Certificação Européia

UIAA – União Internacional das Associações de Alpinismo – Organização representativa de interesses de alpinistas ao redor do mundo. Atua em 76 países e é considerada entidade máxima, a nível global, do alpinismo pelo Comitê Olímpico Internacional. Materiais com UIAA podem ser utilizados para trabalho em altura, alpinismo industrial ou para fins profissionais no Brasl.

UIAA – União Internacional das Associações de Alpinismo

Laudo Técnico – Alguns equipamentos de rapel não possuem nenhum tipo de certificação, porém possuem um Laudo Técnico. Um Laudo Técnico é um processo de perícia do equipamento, comprovando que o mesmo é funcional e seguro. Existem equipamentos que não possuem certificações homologadas pelo Ministério do Trabalho e tem a qualidade superior a alguns tipos de materiais parecidos que possuam homologação, porém não podem ser utilizados para Alpinismo Industrial e outras profissões que exijam Certificações e Homologações.

Materiais Básicos para a prática de Rapel

  • Cadeirinha (Baudrier).

  • Capacete.

  • Par de Luvas.

  • Mosquetões HMS ou Formato D.

  • Freio oito comum.

  • Rabo de vaca (Cow Tail).

  • Cordeletes entre 5mm a 7mm.

  • Corda Semi-Estática entre 8mm a 11,5mm.

  • Proteções para a corda.

  • Mosquetões de malha rápida para abandono.

 

Descrição dos materiais básicos

Cadeirinha

Também chamada de baudrier ou assento, é fabricada para escaladores, praticantes de rapel, espeleologistas, alpinistas e canionistas. As cadeirinhas são feitas para suportarem o peso do praticante e trazer o maior conforto possível para a prática de rapel. Elas são compostas por loops, que são fitas que passam pela cintura, perna e para pendurar seu equipamento. Cadeirinhas projetadas para trabalho em altura e alpinismo industrial não devem ser utilizadas por praticantes de rapel em locais aquáticos, pois por possuírem acessórios em excesso cruzando o seu corpo o praticante pode acabar se envolvendo em um acidente em locais que contenham água. Exemplo: Ficar preso em galhos ou rochas após um salto e não conseguir se soltar.

Cadeirinha (Baudrier)

Os loops (voltas) da cadeirinha são:

  • Belay Loop: Localizado na cintura, é utilizado para colocação do mosquetão e freio quando o escalador deseja fazer a segurança de seu companheiro. O praticante de rapel raramente utiliza do Loop Belay para a prática de rapel, porém ainda é comum ver algumas pessoas utilizando-o.

Belay Loop

  • Loop da Cintura: Localizado na cintura do praticante, onde a maioria dos praticantes de rapel passam seu mosquetão junto ao loop da perna para a prática de rapel. Pode conter o Loop Principal

  • Loop da perna (leg loop): Localizado nas pernas, é o loop que proporciona a sustentação e conforto para o praticante manter-se equilibrado na cadeirinha.

  • Loop dos Equipamentos (gear loop): Localizado na cintura, é projetado para que o praticante de rapel possa colocar seus equipamentos.

Gear Loop

Importante: Cadeirinhas de rapel devem ser colocadas e verificadas pelo praticante de rapel e por um instrutor. Ela também pode ser feita à base de improviso, em casos emergenciais, utilizando uma fita tubular ou uma corda. O LIGA RAPEL não recomenda este tipo de improviso.

Capacete

Fabricados na sua maioria em polietileno para que os praticantes de rapel, escalada e alpinismo industrial não machuquem o crânio em caso de um incidente ou acidente. Os capacetes podem evitar fraturas caso um objeto que esteja acima do praticante de rapel venha a cair em sua cabeça ou caso o próprio praticante de rapel venha a cair ou bater a cabeça em um objeto. (Neste último caso, capacetes suspensos não protegem contra a queda do próprio praticante, deve-se procurar um capacete de isopor injetado).

Capacete

Luvas

Equipamento opcional, que deve ser utilizado com prudência pelo praticante de rapel. Em ambiente aquático o uso de luvas é condenado, pois retira o tato do praticante e coloca-o exposto ao perigo de ter a luva presa pelo sistema de frenagem. No rapel em locais secos o uso de luvas é muito comum. A maioria dos praticantes não tem conhecimento das formas de passada de corda no freio (lenta, comum e rápida) e acabam por preferir utilizar as luvas para não queimar as mãos.

Luvas

 

Mosquetões

Os mosquetões são divididos em diversos modelos, cada um tem uma função específica.

Mosquetão HMS: Conhecido por seu formato em “Pera”, é um mosquetão com excelente área de trabalho. Por possuir uma área de trabalho grande, o mosquetão HMS possui um ponto frágil próximo ao fechamento do gatilho. Indicado para nós de duas alças, locais onde você irá precisar de espaço de trabalho ou para utilização no seu freio 8 ou longe.

Mosquetão Formato D: Por possuir simetria no formato D, o mosquetão possui excelente resistência à tração devido à aos ângulos fechados de sua construção. É indicado para nós de uma alça ou para utilização no seu freio 8 ou longe.

Mosquetão de Malha Rápida: É um pequeno mosquetão que normalmente é utilizado como material de abandono, em ancoragens ou para prender o seu longe em seu baudrier. É fabricado em AÇO e possui resistência similar ao mosquetão HMS ou Formato D.

Mosquetão HMS

Malha rápida

O único material de aço utilizado no rapel pela equipe LIGA RAPEL são as chapeletas de ancoragem, parabolts e mosquetões de malha rápida.

Mosquetão em formato “D”

 

Freio

O freio é uma ferramenta que possibilita a descida do praticante de rapel com segurança criando um atrito com a corda e diminuindo a força que o praticante de rapel deverá aplicar para segurar a corda ao efetuar a descida. O modelo de freio mais comum e recomendado pelo Liga Rapel é o freio oito comum. Existem diversos modelos de freio mais avançados, segue a lista com o nome de alguns mais comuns utilizados no rapel.

  • Oito Comum: Projetado para qualquer praticante de rapel, serve para criar sistemas de ancoragem debreável e serve para descenso (descida de rapel). É o freio mais comum utilizado pelo mundo e tem o custo abaixo dos outros freios do mercado.

Freio oito comum

  • Kong OKA: Projetado para o praticante descer utilizando-o como freio e para criar sistemas de ancoragem avançado e sistemas debreáveis de ancoragem. Recomendado para usuários que já tem vasta experiência em rapel.

Freio Oka da marca Kong

  • Petzl Pirana: Projetado para ambientes aquáticos, não foi projetado para sistemas de ancoragem e sim somente para descidas. Recomendado para usuários que já tem vasta experiência em rapel.

Freio Pirana da marca Petzl

  • Petzl Huit: Freio oito fabricado pela Petzl. É um freio oito em formato diferente dos freios comuns, ele tem um formato quadrangular fazendo com que evite o chamado BOCA DE LOBO (é um tipo de nó que pode ser causado com o afrouxamento da corda enquanto o praticante está efetuando um rapel. Exemplo: o praticante de rapel descendo uma cachoeira ao achar uma rocha decide ficar em pé na mesma. Ao causar o afrouxamento da via a boca de lobo pode acontecer e travar o freio, sendo necessário efetuar um auto resgate). Este freio pode ser utilizado também para sistemas de ancoragem debreável simples.

Freio Huit da marca Petzl

Existem ainda muitos modelos de freio, porém não serão citados com a descrição total pois não são muito utilizados na prática de rapel: GriGri, Stop, ID, RIG, Hydrobot etc.

Cordeletes

Os cordeletes são “cordas” de milimetragem (bitola) menor. Também são chamados de “cordim”. Os cordeletes têm diversas funções:

  • Ascensão em corda: subida pela via (corda).

  • Segurança pessoal: utilizando-o como sistema de backup pessoal.

  • Auto-seguro: sistema no qual você pode soltar a via de forma que você fique travado e não despenque. Não recomendamos sua utilização em ambientes aquáticos.

  • Equalização de vias – Equalizar o peso na ancoragem dividindo-o em vários pontos para que não force apenas um ponto de ancoragem.

Cordeletes

Corda

A corda para rapel deve ser SEMI-ESTÁTICA com homologação para suportar peso (entre em contato com a fábrica e solicite dados quando houver dúvidas), com bitola entre 8mm e 11,5mm. Os praticantes de técnicas verticais em geral optam por utilizar vias de 8mm até 12mm, já os praticantes de rapel normalmente optam por utilizar vias de 10mm até 11,5mm.

As cordas devem ser protegidas, a todo custo, de quinas vivas (locais onde a corda pode ser danificada ao atritar, ex.: Rochas em uma cachoeira).

Marcas de Cordas Nacionais: Polaris, BRC, K2, Bera, Plasmódia.

Diferença entre cordas semi-estáticas e cordas dinâmicas

Não existem cordas totalmente estáticas para rapel, nenhum material deste tipo é totalmente estático, nem cabos de aço que são utilizados para fazer tirolesas.

Cordas semi-estáticas têm um perfil de alongamento entre 2% e 5% aproximadamente, ou seja, não cederão mais que o permitido para não causar um acidente.

Cordas dinâmicas não são feitas para a prática do rapel, são para absorção de impacto, ou seja, para o escalador que quando está realizando uma escalada, cair, a corda irá absorver o impacto da queda, pois as cordas dinâmicas esticam muito mais, têm um alongamento maior do que cordas semi-estáticas.

JAMAIS UTILIZE UMA CORDA DE ESCALADA EM SUA PRÁTICA DE RAPEL! EXISTE UM RISCO ALTO DE ACIDENTE!

Conservação e cuidados com a corda

Normalmente a corda utilizada para rapel contém uma capa externa, fibras trançadas internamente e uma certificação, que pode conter o nome da empresa, CNPJ, o número da certificação ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) ou o número da NR (Norma Regulamentadora).

A composição básica das cordas é poliamida que é um tipo de nylon.

Após cada rapel você deve verificar a sua corda. No caso de verificação de qualquer dano na corda, seja visual ou sentindo manualmente externamente e internamente ao fazer a checagem da corda, você deve cortar no mínimo 30 centímetros de cada lado do local danificado, de forma que você não corra riscos ao praticar rapel com esta corda novamente. Jamais pode se efetuar um nó para emenda de corda pois isto diminui a carga de ruptura em que a corda pode ceder, ou seja, a parte danificada deve ser descartada e a corda ficará dividida em duas vias.

As cordas para rapel devem sempre ser mantidas limpas pois a sujeira impregnada dentro das fibras de poliamida podem, através do atrito, danificar a corda.



Lavando sua corda (válido para materiais têxteis de rapel)

Não podem ser utilizados produtos químicos ou água que contenha micro partículas (água de cachoeira, por exemplo). O ideal para lavar a sua corda é utilizar água pura, sem cloro ou produtos químicos, colocar a corda mergulhada nesta água, trocar a água e mergulhar a corda novamente repetindo o processo várias vezes. Você também pode utilizar produtos próprios para a limpeza de corda como o “Beal Rope Cleaner” (detergente) e uma escova chamada “Rope Brush” fabricados propriamente para lavagem de cordas, porém, devido à dificuldade em encontrar esses materiais no Brasil, recomendamos o processo de lavagem padrão, apenas com a água pura.

Atenção: Não se deve utilizar máquinas de pressão pois isto pode fazer com que a sujeira seja injetada para dentro da corda!

Para secar a corda você deverá deixá-la em lugar sem sol e bem arejado, secando naturalmente. Desta forma ela não irá mofar e também não ressecará.

Materiais de Abandono

Durante a prática de rapel, o praticante pode se deparar com uma situação onde não é possível efetuar a descida e depois voltar para recolher a corda, então ele deverá deixar um material de abandono como meio de ancorar sua via.

Após a descida utilizando um sistema de recolhimento de vias, este material irá ficar lá em cima, no ponto de ancoragem. Este material que fica lá em cima é chamado material de abandono. Na maioria das vezes são os canionistas quem abandonam o material. Caso você encontre algum material de abandono, ao praticar rapel ou canionismo, NÃO RETIRE O MATERIAL DO LUGAR, pois aquele material pode ser necessário para um esportista que irá passar por ali futuramente. Caso o material esteja danificado, substitua por um material novo, se você tiver disponível, o mesmo material para substituição.

Principais materiais que são abandonados: chapeletas, fitas tubulares, mosquetões de malha rápida (também conhecidos como mailon), pedaços de corda passados em volta de uma árvore ou pedra.

Cuidados com seu equipamento

Todo equipamento tem uma validade a qual deve ser verificada ao comprar seu equipamento pessoal. Após passar a validade do seu equipamento você deverá descartá-lo. Todo equipamento deve ser verificado antes do uso e após o uso, caso ele apresente danos você deverá descartá-lo. Equipamentos de rapel não são recicláveis nem devem ser reformados.

Informações extras

  1. Mosquetões em formato D podem ser utilizados para rapel. O Formato D faz com que a resistência dele aumente e a carga seja transferida para o eixo oposto de sua abertura, que é seu ponto mais fraco.

  2. Mosquetões de malha rápida (mailons) também podem ser utilizados para fechar algumas cadeirinhas de Espeleologia e Alpinismo Industrial.

  3. Freios podem ser de alumínio ou aço. Caso seu freio seja de aço recomendamos utilizar um mosquetão também feito em aço. Não recomendamos a utilização de nenhum material de aço exceto os mailons.

Procedimentos de segurança a serem adotados pelo praticante antes da atividade

  • Andar tranquilamente pelas trilhas. Jamais correr ou saltar sem necessidade.

  • Manter-se hidratado e bem alimentado.

  • Estar bem fisicamente e mentalmente.

  • Utilizar calçados e roupas adequadas para o local onde você está indo.

  • Em caso de cachoeira com poço de alta profundidade, levar coletes salva vidas ou objeto flutuador para sair do poço com segurança.

  • Levar óculos de mergulho, caso haja água, para que possa achar um objeto que tenha caído dentro da água.

  • O instrutor deve passar a todos informações suficientes do tipo de atividade que será feita, para que os participantes possam se programar da melhor forma.

Procedimentos de segurança a serem adotados em ordem pelo praticante durante a prática de rapel

  1. Verificar equipamentos.

  2. Adentrar na trilha ou local onde será realizada a atividade.

  3. Criar um corrimão de segurança para que todos possam se aproximar com segurança.

  4. Criar o sistema de ancoragem utilizando nós seguros para rapel ou sistemas debreáveis para canionismo.

  5. Escolher uma pessoa para que faça a segurança dos praticantes que estarão na via descendo.

    1. O membro do grupo que irá prestar segurança a executa da seguinte forma: segura a ponta da via com uma volta na mão de forma que se o praticante que está descendo soltar as mãos da via, desmaiar, ou ficar impossibilitado de segurar a via, a pessoa que está fazendo a segurança apenas puxe a via de forma que ela estique e o praticante seja freado automaticamente.

    2. Caso não tenha ninguém para fazer a segurança, o primeiro a descer deve ser debreado: descido de cima via sistema de ancoragem debreável.

  6. Colocar o praticante que irá descer na via.

  7. Após colocá-lo na via, desacoplá-lo do corrimão.

  8. Iniciar a descida.

  9. Após finalizar todas as descidas, desmontar todo o sistema de ancoragem.

  10. Se afastar da exposição ao risco.

  11. Recolher a corda.

  12. Recolher o corrimão de segurança.

Procedimentos de segurança a serem adotados pelo praticante após a prática do rapel

  • Verificar todo o equipamento.

  • Em caso de cachoeira colocar todo equipamento para secagem na sombra em local super arejado.

  • Após a secagem, verificar novamente todo o equipamento.

Na verificação do equipamento após o uso verifique a corda por completo, se a alma da via (parte interna) está boa, verifique as cadeirinhas, os mosquetões se estão fechando corretamente e se não sofreram danos.



Armazenamento de equipamento

Guarde seus equipamentos sempre em local seco e arejado, evitando assim locais úmidos que podem contribuir para o mofo. Evite locais altos em que alguém pode se machucar ao tentar alcançá-los ou mesmo para evitar a queda dos equipamentos.

Procedimento de passagem da corda no Freio Oito.

A corda deverá ser passada no freio oito de maneira que o praticante possa efetuar um rapel com segurança. Existem 2 passadas na prática de rapel seguras:

Nós básicos utilizados no rapel

 

Nó Aselha Dupla

A Aselha serve como base para que o Praticante de Rapel aprenda a criar um oito. É um nó básico e que não tem utilizade primária durante a prática. Por ser o nó mais simples de ser efetuado, é bom deixá-lo na lista pra que fique como referência ao oito.

Nó Oito Duplo

O nó mais utilizando entre os Praticantes de Rapel é o Oito Duplo, ele é feito da mesma maneira que o Oito Simples, porém a via está permeada (Dobrada). A volta é usada dentro do mosquetão da ancoragem. Para o nó não ficar muito tensionado ao final do dia, é recomendado utilizar um nó blocante junto ao oito.

 

Machard

Entre os nós blocantes, o Machard é um nó que quando tensionado, ele tende a travar na via, quando frouxo, ele corre pela via. Por se tratar de um nó blocante ele é amplamente utilizado para retirar a tensão de nós de ancoragem e sistemas de ascensão por métodos de fortuna (improviso). O laço final do nó Machard deverá ficar no mosquetão da ancoragem de forma que o nó fique sem tensão, deixando a tensão inteiramente no nó blocante.

Ancoragens Debreáveis

As ancoragens debreáveis são ancoragens dinâmicas muito utilizadas no Canionismo e por alguns praticantes de rapel nos dias atuais. Elas funcionam de forma que você possa a qualquer momento desmontá-la e descer o praticante que está na via, debreando-o, diretamente do ponto de ancoragem. Existem diversas ancoragens debreáveis, algumas feitas com nó de mula e arremate, outras feita com nós dinâmicos e arremate e algumas utilizando freios como OKA, HUIT ou OITO COMUM.

Na seqüência segue uma ancoragem debreável realizada com o freio 8 comum. Lembrando que ao soltá-la você deverá segurar com firmeza a corda e iniciar o descenso de seu parceiro.

ATENÇÃO: AS CHAPELETAS UTILIZADAS NAS FOTOS SÃO DA MARCA BONIER, MODELO: PINGO. ESTAS CHAPELETAS PERMITEM PASSAR A CORDA DIRETAMENTE NELAS. NA UTILIZAÇÃO DE CHAPELETAS COMUNS DEVE-SE SEMPRE COLOCAR UM MOSQUETÃO DE MALHA RÁPIDA ONDE A CORDA IRÁ PASSAR.

Processo de Ancoragem Comum

  1. Descer a via até o chão, a medida aproximada pode ser feita contando braçadas, no caso de um local com aproximadamente 17m você pode contar 17 braçadas de via.

  2. Colocar um mosquetão no ponto de ancoragem de forma que a rosca do mesmo fique virada para cima para que não entre em contato com a rocha.

  3. Efetuar um nó de ancoragem, debreável ou não e colocá-lo no seu mosquetão.

  4. Efetuar um backup da sua ancoragem.

    1. O Backup é uma ligação entre seu ponto de ancoragem e um ponto secundário para se caso o ponto primário estourar, você ainda tem um segundo ponto que irá segurar a via.

      1. Exemplo de Backups:

        1. Chapeleta em outra Chapeleta ligada por uma tubular e mosquetões de malha rápida.

        2. Oito duplo como nó da ancoragem principal e oito duplo no ponto de ancoragem secundário. Chamado também de ancoragem em série.

  5. Colocar as proteções nos locais onde a via está tendo muito atrito.

Passagem de corda no freio oito:

Passagem clássica no freio oito para destro:

Caso o praticante seja canhoto, deverá efetuar a passagem de corda para o lado esquerdo (Lado da mão que irá segurar a corda).

Passagem Lenta (Vertaco):

Na passada lenta, o praticante deverá ANTES DE INICIAR O RAPEL passar a corda da mão por dentro do mosquetão de maneira que o atrito gerado será maior e o praticante não necessitará fazer muita força para segurar a corda.

Gerenciamento de Atrito

O gerenciamento de atrito consiste em você gerenciar um local onde a via está pegando em um ponto de desgaste alto. Ele é feito da seguinte maneira:

  1. Após uma ou duas descidas, irá depender do quanto sua via está desgastando no local onde tem atrito, você irá desmontar sua ancoragem.

  2. Descer a via aproximadamente 10cm se o ponto for pequeno, se o ponto de atrito for grande desça a via até ela sair do ponto de atrito.

  3. Remontar o sistema de ancoragem.

Sistema de Auto-Molinete

O sistema de auto-molinete permite ao praticante de rapel progredir por uma zona de exposição ao risco, sem se soltar do ponto de ancoragem. Desta maneira sua progressão se torna segura.

Para criar o sistema de auto-molinete o praticante deverá ter a ponta da corda ancorada por um nó em um mosquetão preso ao loop-belay, com esta mesma corda passando pelo ponto de ancoragem e descendo até o sistema de freio do praticante. Atenção: Sempre saiba o tamanho da corda utilizada e sempre tenha corda suficiente para criar seu sistema de auto-molinete.

Sistema debreável com Freio 8 Comum

O sistema debreável com Freio 8 comum permite o praticante realizar uma ancoragem dinâmica, onde o próprio praticante pode destravar e travar a ancoragem quando quiser, fornecendo uma segurança maior para quem está na corda efetuando descenso.

Para montar o sistema debreável com Freio 8 comum, o praticante passará a corda por dentro da malha rápida, descendo a mesma até o chão. Após passar a corda de rapel, assim como passamos em nosso freio da cadeirinha, você deverá pegar a sobra de corda da ancoragem e passar por dentro do freio no sentido oposto à passada anterior. Desta maneira a ancoragem ficará travada. Para destravar, basta retirar a corda de dentro do freio, iniciando a debreagem do praticante.

ATENÇÃO: AS CHAPELETAS UTILIZADAS NAS FOTOS SÃO DA MARCA BONIER. MODELO: PINGO. ESTAS CHAPELETAS PERMITEM PASSAR A CORDA DIRETAMENTE NELAS. NA UTILIZAÇÃO DE CHAPELETAS COMUNS DEVE-SE SEMPRE COLOCAR UM MOSQUETÃO DE MALHA RÁPIDA ONDE A CORDA IRÁ PASSAR.

Outras ancoragens debreáveis

Nó UIAA: O nó dinâmico HMS (UIAA) permite que o praticante monte uma ancoragem sem a necessidade de utilização de um freio. A seqüência a seguir mostra como uma ancoragem debreável com nó UIAA deve ser montada.

Nó UIAA -> Nó de Mula -> Arremate

Referências:

LIGA RAPEL – ESPORTES E ATIVIDADES AO AR LIVRE;

www.ligarapel.com.br;

youtube.com/ligarapel.com.br;

guiavertical.com.br;

 

Sobre os autores deste artigo:

Gabriel Finelli

  • Instrutor de técnicas verticais desde 2013.

  • Formação em NR-35 (Trabalho em altura) pela M.A. Consultoria 2014.

  • Formação em prática de Canionismo Autônomo por Fábio Miguel, “Fábio do Canyon”, em ‘Curso Básico de Autonomia do Praticante 2015.”

  • Formação EPE-02 GBCAN – Autonomia em Cânions de cotação V4.A3.III.

  • Formação em Curso de Manejo de Serpentes e Animais Peçonhentos ministrado por Faculdade Uni-BH.

  • Formação em Auto-Resgate GBCAN.

  • Vice Presidente do Grupo Brasileiro de Canionismo (2017/2020)

  • Presidente do Centro de Apoio ao Profissional do Rapel (2017/2020).

  • Conselho Consultivo da União Brasileira de Resgate e Acesso por corda.

Elizabeth Vieira de Oliveira

  • Instrutora de técnicas verticais desde 2015.

  • Formação em prática de Canionismo Autônomo por Fábio Miguel, “Fábio do Canyon”, em ‘Curso Básico de Autonomia do Praticante 2015.”

 



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