Qual são os equipamentos básicos para a prática de rapel ?


Olá praticante de técnica vertical, aqui irei descrever todo o equipamento necessário para que você possa praticar rapel com total segurança.

O Liga Rapel deixa bem claro que saber ou obter os equipamentos básicos para a prática de rapel não o torna apto para a prática. Você deve cursar em alguma empresa qualificada e aprender as técnicas e padrões utilizados na prática esportiva.

Equipamentos básicos para a prática de rapel:

  • Cadeirinha.
  • Capacete.
  • Mosquetões em formato D ou HMS.
  • Dois freios em formato 8.
  • 2 cordeletes de 1,5m cada.
  • 2 Fitas tubulares de no mínimo 60cm cada.
  • Par de Luvas.
  • 2 mosquetões de malha rápida.
  • 1 Extensor.
  • Um blocante.
  • 1 kit de primeiros socorros.
  • 4 mosquetões de aço oval.
  • 1 corda semi-estática com 10mm ou 11mm de 30m aproximado.
  • Proteções de Corda.
  • Apito.

Descritivo dos equipamentos básicos para a prática de rapel:

Cadeirinha:

Também chamada de baudrier ou assento, é fabricada para escaladores e canionistas. As cadeirinhas são feitas para suportarem o peso do praticante e trazer o maior conforto possível para a prática de rapel. Elas são compostas por loops, que são fitas que passam pela cintura, perna e para pendurar seu equipamento.

Os loops da cadeirinha são:

  • Loop Belay: Localizado na cintura, é utilizado para colocação do mosquetão e freio quando o escalador deseja fazer a segurança de seu companheiro. O praticante de rapel raramente utiliza do Loop Belay para a prática de rapel, porém ainda é comum ver algumas poucas pessoas utilizando-o.
    cadeirinha rapel

    Cadeirinha projetada para escalada. Também serve para a prática de rapel.

  • Loop da Cintura: Localizado na cintura do praticante, onde a maioria dos praticantes de rapel passam seu mosquetão e freio para a prática de rapel.
  • Loop da perna (leg loop): Localizado nas pernas, é o loop que da toda a sustentação e conforto para o praticante manter-se equilibrado na cadeirinha.
  • Loop dos Equipamentos (Gear Loop): Localizado na Cintura, é projetado para que o praticante de Rapel possa colocar seus equipamentos.

Cadeirinhas de rapel devem ser colocadas e verificadas pelo praticante de rapel e por um instrutor. Ela também pode ser feita à base de improviso, em casos emergenciais, utilizando uma fita tubular ou uma corda. O Liga Rapel não recomenda este tipo de improviso.

Capacete:

Capacete para rapel

Capacete Wild Country. Projetado para Atividades Verticais.

Fabricados para que os praticantes de rapel, escalada e alpinismo industrial não machuquem o crânio em caso de um incidente ou acidente. Os capacetes podem evitar fraturas caso um objeto que esteja acima do praticante de rapel venha a cair em sua cabeça ou caso o próprio praticante de rapel venha a cair ou bater a cabeça em um objeto.

Você ainda pode optar por utilizar um capacete Suspenso, Semi-Suspenso ou Injetado. Deve-se pesquisar antes o modelo que melhor se adapta para a modalidade de rapel que você irá praticar.

Mosquetões:

Mosquetão HMS.

Os mosquetões são dividos em diversos modelos, cada um tem uma função específica. O canal Liga Rapel recomenda a utilização somente de ‘Mosquetões HMS’ e  ‘Mosquetões em Formado D’Os únicos materiais de aço utilizados no rapel são as chapeletas de ancoragem, parabolts e mosquetões de malha rápida. 

Mosquetão "D"

Mosquetão “D”.

Os mosquetões HMS são mosquetões que servem para praticamente todo tipo de função, podendo ser utilizado em ancoragens e na sua cadeirinha, porém deve-se ficar atento que qualquer mosquetão utilizado em ancoragens não pode entrar em contato com materiais têxteis, pois o desgaste causado no mosquetão pode acabar por se tornar uma lâmina afiada cortando o material têxtil. 

Mosquetões HMS e Mosquetões em Formato D são utilizados por nós em ancoragens e em nossas cadeirinhas. Ambos devem ser homologados para a prática e para suas funções.

Freio Oito:

Freio 8 Comum

Freio 8 Comum.

O freio é uma ferramenta que possibilita a descida do praticante de rapel com segurança criando um atrito com a corda e diminuindo a força que o praticante de rapel deverá aplicar para segurar a corda e efetuar a descida. O modelo de freio mais comum e recomendado pelo Liga Rapel é o Freio Oito comum. Existem diversos modelos de freio mais avançados, segue a lista com o nome de alguns mais comuns utilizados no RAPEL:

  • Freio Kong OKA

    Freio Kong OKA.

    Kong OKA – Utilizado pelos canionistas, projetado para o praticante descer utilizando-o como freio e para criar sistemas de ancoragem avançado e sistemas debreáveis de ancoragem. Recomendado para usuários que já tem vasta experiência em rapel.

  • Petzl Pirana – Utilizado pelos canionistas, não foi projetado para sistemas de ancoragem e sim somente para descidas. Recomendado para usuários que já tem vasta experiência em rapel.
    Freio Petzl Pirana.

    Freio Petzl Pirana.

  • Petzl Huit – Freio Oito fabricado pela Petzl, é um freio oito em
    Freio Petzl HUIT

    Freio Petzl HUIT.

    formato diferente dos freios comuns, ele tem um formato mais quadrangular fazendo com que evite o chamado BOCA DE LOBO, um nó que pode ser automaticamente criado quando se utiliza um freio oito comum e acaba por bloquear o usuário. Este freio pode ser utilizado também para sistemas de ancoragem debreável simples. Recomendado para todos os tipos de praticantes de rapel.

Ainda existem muitos modelos de freio, porém não serão citados com a descrição total pois não são muito utilizados no Rapel: GriGri, Stop, ID, RIG, Hydrobot etc.

Cordeletes:

Os cordeletes são “cordas” de milimetragem (bitola) menor, também são chamados de Cordin. Os cordeletes têm

Cordelete Roca

Cordelete Roca 7mm.

diversas funções:

  • Ascensão em corda: subida pela via (corda).
  • Segurança pessoal: utilizando-o como sistema de backup pessoal.
  • Auto-Seguro:sistema no qual você pode soltar a via de forma que você fique travado e não despenque. Não recomendamos sua utilização.
  • Equalização de vias – Equalizar o peso na ancoragem dividindo-o em vários pontos para que não force apenas um ponto de ancoragem.

Fita Tubular:

Fita Tubular

Fita Tubular.

As Fitas tubulares são fitas com métodos de fabricação extremamente resistentes que se assemelham a uma corda de rapel sem sua alma, ou seja, só a capa. As fitas tubulares são macias e ocupam pouquíssimo espaço. São utilizadas basicamente em todas as funções citadas acima para os cordeletes, podendo ser utilizada também em métodos de ancoragens fixa e móvel.

 

Luva para Rapel

Luva para Rapel.

 

Luva:

Acessório totalmente opcional, que deve ser utilizado com prudência pelo praticante de rapel. No Canionismo o uso de Luvas é condenado, pois retira o tato do praticante e coloca-o exposto ao perigo de ter a luva presa pelo sistema de frenagem. No Rapel o uso de luvas é muito comum.  A maioria dos praticantes não tem conhecimento das formas de passada de corda no freio (lenta, comum e rápida) e acabam por preferir utilizar a luva para não queimar as mãos.

Kit de Primeiros Socorros:

O kit de primeiros socorros é item importante em qualquer atividade outdoor como medida preventiva para acidentes, permitindo que haja rápida reação ao ministrar os primeiros socorros ou cuidados básicos.

Em caso de acidente, o resgate deverá ser acionado. Somente membros formados em APH (Atendimento Pré-Hospitalar) e que tenham conhecimento sobre o assunto poderão mexer na vítima, caso seja necessário.

Os itens essenciais (básicos) em um kit de primeiros socorros:

  • Luvas de látex descartáveis;
    Kit de Primeiros Socorros

    Kit de Primeiros Socorros.

  • Curativos: para cobrir e proteger pequenos ferimentos;
  • Hastes de Algodão Flexíveis: para limpar feridas e retirar corpos estranhos dos olhos;
  • Algodão;
  • Esparadrapo: para fixar gaze e ataduras;
  • Ataduras: para cobrir ferimentos grandes ou dar firmeza, em caso de lesões internas;
  • Uma caixa de comprimidos de ácido acetilsalicílico 500 mg: para dores em geral;
  • Uma caixa de comprimidos de paracetamol 500 mg: também para a dor, em caso de alergia ao componente anterior;
  • Uma caixa de anti-histamínico: para reações alérgicas;
  • Um frasco de água oxigenada: para desinfecção;
  • Um anti-diarréico: em comprimidos ou líquidos;

Este kit deve ser colocado em locais facilmente acessíveis e deve ser de conhecimento de todos os praticantes.

Extensor:

Extensor

Extensor.

O Extensor é um “braço” alongado da sua cadeirinha projetado com mosquetões e uma corda dinâmica de escalada para que o praticante possa se ancorar com segurança em alguns locais onde o risco de acidentes é alto. Serve também para que o praticante possa andar em corrimões de segurança com facilidade. A corda deve ser dinâmica pois caso o praticante sofra uma queda ele não irá se machucar pois a corda irá se alongar.

 

Blocante:

Blocante Tibloc

Blocante Tibloc.

Blocantes são ferramentas que possuem uma única função. Correr apenas para um lado na corda, dependendo da posição em que o praticante encaixar na via. A maioria dos blocantes funcionam com o esmagamento da corda, outros funcionam com pequenos dentes que não danificam a corda caso utilizado da maneira correta. Para o praticante de rapel serve para diversos tipos de prática, como ascenção, segurança pessoal, progressão horizontal, dentre outros.

Cordas de Rapel

Cordas de Rapel.

 

 

Cordas:

A corda para rapel deve ser SEMI-ESTÁTICA com resistência acima de 18kn até 35kn, com bitola entre 8mm e 11,5mm. Os Canionistas optam por utilizar vias de 8mm até 10mm, já os Praticantes de Rapel optam por utilizar vias de 10mm até 11,5mm. As cordas devem ser protegidas, a todo custo, de quinas vivas (locais onde a corda pode ser danificada ao atritar, ex.: Rochas em uma Cachoeira).

 Marcas de Cordas Nacionais: Polaris, BRC, K2, Bera, Plasmódia.

Diferenças entre cordas semi-estáticas e dinâmicas:

Não existem cordas totalmente estáticas para rapel, nenhum material é totalmente estático, nem cabos de aço que são utilizados para fazer tirolesas.

Cordas para a prática do rapel são semi-estáticas e podem ter 12 mm, 11,5 mm, 11 mm ou 10,5 mm. Estas cordas têm um perfil de alongamento menor que 2%, ou seja, não cederão mais que 2% durante uma descida de rapel, por exemplo.

Cordas dinâmicas não são feitas para a prática do rapel, são para absorção de impacto, ou seja, para o escalador que quando está realizando uma escalada, cair, a corda irá absorver o impacto da queda, pois as cordas dinâmicas esticam muito mais, têm um alongamento maior do que cordas semi-estáticas.

Proteção de corda:

Proteção de corda

Proteção de corda

A proteção de corda é um dos itens mais importantes no qual o praticante de rapel deve lembrar-se ao sair de casa no dia de aventura. A corda como citado acima, deve ser protegida a todo custo, então existem proteções em diversos materiais para que você possa deixar sua corda protegida de qualquer quina viva. Jamais deixe a corda exposta nas rochas.

Apito:

Apito

Apito

Deixado de lado por uns e amado por outros, o apito é uma ferramenta de extrema importância para o praticante de rapel. Com um apito você pode combinar diferentes padrões de comunicação com seus amigos de maneira que eles possam saber caso alguma coisa esteja errada durante sua descida, ou para avisar que a via está liberada. Nós do Liga Rapel sempre utilizamos nossos apitos diretamente no capacete.

 

 

 

 

Esta lista é apenas o básico que um praticante de rapel necessita para começar a prática com segurança, porém lembrando novamente: – Ter equipamentos de rapel não necessariamente lhe capacita para a prática.

Procure profissionais qualificados para que você possa aprender a praticar com segurança!

 

Gabriel Finelli

Equipe Liga Rapel